terça-feira, 29 de setembro de 2015

Os Estudantes de Arquitetura e Urbanismo podem ser úteis à sociedade?

Por Túlio Martins

Ações Reverberadas

Vivemos em um país seriamente carente de iniciativas socioculturais, socioambientais e ações humanitárias. Problemas como corrupção, falta de infraestrutura nas escolas, baixo salário de professores, já são assuntos tratados com bastante conformismo no cotidiano da maioria das pessoas.
Erroneamente, temos uma facilidade quase que sobrenatural para abafar com terra o fogo dos escândalos do nosso país, esquecendo-os quase que de imediato, enquanto rompemos com a centelha das boas ações.
É chegada a hora de nos encontrarmos com a solidariedade e compreendermos nosso papel social. Não há mais logicidade em continuarmos a permear os caminhos da insignificância. De imediato, precisamos transcender esse tapume que rege nossa sociedade já debilitada.

O aluno de arquitetura e urbanismo: uma contribuição social

Os alunos de Arquitetura e Urbanismo representam, no âmbito do planejamento de espaços, uma parcela significativa de pessoas que estão de alguma maneira buscando solucionar os problemas da sociedade.
 Todavia, a contribuição efetiva do aprendente para a transformação do ambiente social se dá com mais intensidade à medida que deixa a universidade e inicia seu fascinante caminho como arquiteto urbanista.
Até ai, tudo bem. Mas, é necessário reconhecer que o estudante de arquitetura e urbanismo é um profissional em construção e, como tal, tem sensibilidade e potencial para lapidar e ser lapidado pela sociedade em que se insere.

Mas, como ser útil à sociedade?

Existem algumas maneiras de sairmos do estado de letargia e adentramos numa busca incessante pela transformação. Uma delas é o estabelecimento de um diálogo permanente com a sociedade sobre a preservação do meio ambiente de um modo geral e, de forma mais especifica, do patrimônio histórico e cultural.
 É de suma importância compreender que cada tijolo, cada fachada, cada monumento, guarda as memorias da nossa existência, os negativos que provam nossa capacidade de raciocínio, que nos separa dos demais seres vivos, permitindo assim, manter acessa a chama que une o passado e o presente, na lógica da construção de um futuro melhor.
Outra vertente primordial e improrrogável é a interação da universidade com o seu entorno. A organização de debates sobre melhorias no bairro, sobre acessibilidade, inclusão social, o esclarecimento da população sobre legislações ligadas a construção civil e a organização da cidade, pode significar melhorias no processo de ocupação, no convívio e no aprimoramento da formação intelectual, social, cultural e econômica do estudante de arquitetura e urbanismo.
Sendo assim, percebemos que existe uma competência social na estruturação da formação do estudante, uma vez que, para ser útil a sociedade não é necessário ser um estudante de arquitetura e urbanismo, mas para ser um estudante de arquitetura e urbanismo, é necessário ser útil à sociedade.


Portanto, esse texto tem o objetivo de provocar uma reflexão sobre a nossa a capacidade de transcender o cotidiano, de transformar a vida daqueles que dividem esse planeta de tantas culturas e personalidades.  É também uma convocação a todos os estudantes e, em especial, aos de arquitetura e urbanismo, a vislumbrarem novas formas de agir em relação a seu papel social, ainda como estudante, como possibilidade de construir perspectivas melhores para o futuro coletivo.

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