segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A Dialética da Sala de Aula na perspectiva da Construção de um Pensamento Transformador e a Continuidade da nossa Espécie: uma responsabilidade com o Planeta à luz da Arquitetura e do Urbanismo.

                                                                                                                                                                        Por Túlio Martins

                 
  Penso que na universidade e, em especial, no curso de arquitetura e urbanismo não se pode permitir que ideias de placebo acerca da sustentabilidade possam permear os discursos e as práticas da comunidade acadêmica.

Penso, inclusive, que Isso é inaceitável. Pois, o nosso papel dentro do curso de arquitetura e urbanismo é projetar a partir da reflexão de nossas atitudes em relação ao planeta, que é a nossa casa.

                   Pensar a casa, ou qualquer outra construção, como um ser vivo, mutável e adaptável é Imprescindível. Trabalhar a perspectiva do projeto fazendo sua conexão entre o ser que habita e o planeta que é habitado, é urgente, é inadiável.

Destarte, o aquecimento global que está acontecendo hoje em nosso planeta é visível.  Todavia, existem dois pensamentos distintos sobre o aquecimento global: o homem acelera o processo de degeneração ou o aquecimento segue o curso normal dos fenômenos naturais.     

 Contudo, o primeiro argumento, o mais aceito, é fruto de uma complexa análise de dados científicos, quantificáveis e explícitos. Porém é incerto garantir uma projeção futura dos efeitos.  Impossível garantir exatamente como será o clima daqui a um mês e muito menos daqui a um ano.
                  Entretanto, o que se sabe é que não podemos tratar o aquecimento global, provocado pela ação do homem, como uma religião onde uns acreditam e outros não.

Não são suposições, são dados, é realidade, não há o que se contestar. Estamos acelerando o processo, que alguns chamam de ciclo natural do planeta. A quantidade de gelo nos polos está sendo reduzido ano a ano, o aumento da quantidade de água que é precipitada pelas chuvas, o aumento das temperaturas médias no verão, a temperatura média nos invernos caindo constantemente e nevascas na Europa e nos Estados Unidos, em cidades onde não havia formação de neve no inverno.

 Enfim, tudo isso nos faz perceber que nossa espécie está acelerando o curso natural das coisas. Pois, a meu ver, somos até o momento, os únicos seres vivos que produzem um lixo que não é aproveitável por outra espécie, desordenando a cadeia alimentar.

Estamos poluindo e alterando desordenadamente nossa casa como um câncer. Estamos sendo negligentes perante a gravidade das nossas atitudes.  Perdemos as estribeiras.

                   No entanto, temos que potencializar uma grande mudança no nosso conviver social. Não falo de abandonarmos a atual corrente que nos guia, que é o desejo de ter, de possuir. Mas, podemos mudar o objeto de desejo, a fim de eliminarmos tudo que desgasta nosso planeta, substituindo por itens que façam com que nosso tempo na terra dure um pouco mais.    

       Este planeta a muito nos avisa, a muito insiste para que procuremos saídas plausíveis. Não importa se o planeta responde ou não a um ciclo de vida. O nosso mundinho azul terá inevitavelmente todo tempo do mundo, literalmente.  A grande questão é que nós não teremos.

                  Todavia, enquanto não melhorarmos a dialética dentro da sala de aula, buscando sempre a solução dos problemas e instigando a prática de discussões proativas, estaremos sacrificando as gerações futuras e toda e qualquer ideia fantástica que poderíamos desenvolver. Claro, se nossos esforços permanecerem voltados para este caminho turvo e medíocre.

                  No entanto, não podemos nos acomodar. É sempre mais fácil afirmar que não tem solução, que esse é o nosso destino, sucumbir. Mas não acreditemos em destino, pois estamos sempre em construção, com novas ideias e novos estilos de vida e que freneticamente e inevitavelmente alteram os nossos futuros. Acomodar-se é acovardar-se. Não sejamos covardes com os que ainda irão habitar este planeta. Sem seguirmos um caminho positivo, nada do que fazemos dentro de sala tem sentido, nada na arquitetura, muito menos no urbanismo terá propósito.

                Portanto, proponho começarmos hoje a trabalhar com bastante romantismo sobre nosso planeta. Não o romantismo utópico, mas sim, o elã vital, a nossa potência de agir em prol da nossa existência, erradicando pensamentos negativos e valorizando o otimismo em relação ao nosso futuro.
Proponho, ainda, um novo olhar para a arquitetura e o urbanismo. Um olhar de quem ama o lugar onde vive e percebe que somos nós que dependemos do planeta e não, o contrário.
                  Chega de construirmos casa vazias, sem alma. Chega de construirmos coisas sem função, sem utilidade. Lógico, a beleza tem sua própria função inserida na sua temática. A beleza é você percebe-la e sentir-se bem com ela. Portanto, ela tem função. 

                Sugiro não esquecermos que, futuramente, seremos os projetistas do mundo, seremos arquitetos. Fomos encarregados de buscar soluções para ampararmos as imprevisibilidades da vida e consequentemente do planeta. Se as coisas derem errado, teremos nossa parcela de culpa por não optarmos por soluções relevantes. 
Lembre-se.
                 Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencentes a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vivem num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia. Que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que pode desaparecer.

Quem és tu? Qual a tua obra? O que você deixara como exemplo? Ou será medíocre permitindo que a terra vá a coma, e que seus dias de vida e suas atitudes fracas se transformem em adubo, assim como você?

                Ninguém morre de verdade enquanto permanecer vivo no pensamento das pessoas. Seja você o ser pensante, o presente e o futuro. Não se renda.

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