Por Túlio Martins
Na maioria das cidades, não é muito raro encontrar espaços
públicos depredados, assolados e saqueados. Consequentemente, esses espaços
acabam por perder o diálogo com o seu entorno, abandonando assim o seu caráter
de união cultural comprometendo o relacionamento cotidiano dos que frequentam
aquele determinado espaço.
Desse modo, quando nos deparamos com alguma situação de
depredação do patrimônio comunitário, a priori, julgamos essa prática em duas
vertentes: o abandono do poder público e ou a ação de vândalos, como uma
condicionante real diante da total e inevitável falta de consciência de quem
pratica tal perplexidade.
Essas atitudes de depredação do patrimônio público podem estar
relacionadas à decadência educacional a qual os cidadãos são submetidos.
Seja pela ausência da educação doméstica, seja pela inadequação da
educação escolarizada às reais necessidades dos que dela participam.
Reforçando esse argumento, Paulo Freire (2006, p. 45) diz que
“é
preciso que a educação esteja em seu conteúdo, em seus programas e em
seus métodos - adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser
sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os
outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história [...] uma
educação que liberte, que não adapte, domestique ou subjugue.”
Nessa
perspectiva, torna-se inadiável agregar ao cotidiano de um adolescente em
formação as necessidades básicas de preservação da cidade. Igual importância
tem a necessidade de trabalhar a dialética acerca da preservação e do
conhecimento urbano como possibilidade de construção da consciência saudável
com o ambiente coletivo.
Sendo assim,
é clara e evidente a necessidade de se criar, de imediato, uma disciplina
dentro da escola convencional, que não simplesmente apresente o obvio do não
praticar vandalismo na cidade, mas que, sobretudo, incentive a importância do
praticar o uso coletivo de forma responsável, como forma de progredirmos como
civilização, com o intuito de evitarmos tais infrações desobstruindo os canais
da boa formação intelectual.
É preciso, ainda, considerar que é no espaço público que experienciamos a vida,
reencontramos pessoas, vivenciando assim, um dos nossos instintos mais antigos,
que é o de se socializar com os outros indivíduos.
Isso nos
remete a reflexão de que a preservação do espaço público é de responsabilidade
do poder público, cabendo ao cidadão preservar, fiscalizar, protestar e cobrar
das autoridades competentes a revitalização desses espaços.
Portanto, a
educação pode contribuir muito com a formação do ser humano, pois ela se
constitui numa base para inserção do indivíduo no meio social de forma
competente e responsável.
Por
conseguinte, é preciso buscamos teorias que possam reforçar nosso argumento de
que é preciso criar uma disciplina no currículo da educação básica voltada para
a preservação do espaço público, uma vez que a educação potencializa a
compreensão de que o ato de depreciar qualquer patrimônio público representa a
negação automática do convívio, do diálogo e da consciência do valor de
preservação do bem coletivo.

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