sábado, 24 de outubro de 2015

As Disciplinas Escolares e a Responsabilidade Com os Espaços Públicos.




Estátua do poeta da primeira geração do modernismo, Ascenso Ferreira. Faz parte do Circuito da Poesia que conta com 12 estátuas distribuídas pela capital homenageando expoentes da cultura pernambucana.




Por Túlio Martins


Na maioria das cidades, não é muito raro encontrar espaços públicos depredados, assolados e saqueados. Consequentemente, esses espaços acabam por perder o diálogo com o seu entorno, abandonando assim o seu caráter de união cultural comprometendo o relacionamento cotidiano dos que frequentam aquele determinado espaço.
Desse modo, quando nos deparamos com alguma situação de depredação do patrimônio comunitário, a priori, julgamos essa prática em duas vertentes: o abandono do poder público e ou a ação de vândalos, como uma condicionante real diante da total e inevitável falta de consciência de quem pratica tal perplexidade.
Essas atitudes de depredação do patrimônio público podem estar relacionadas à decadência educacional a qual os cidadãos são submetidos.  Seja pela ausência da educação doméstica, seja pela inadequação da educação escolarizada às reais necessidades dos que dela participam.
Reforçando esse argumento, Paulo Freire (2006, p. 45) diz que

“é preciso que a educação esteja  em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos - adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história [...] uma educação que liberte, que não adapte, domestique ou subjugue.”

Nessa perspectiva, torna-se inadiável agregar ao cotidiano de um adolescente em formação as necessidades básicas de preservação da cidade. Igual importância tem a necessidade de trabalhar a dialética acerca da preservação e do conhecimento urbano como possibilidade de construção da consciência saudável com o ambiente coletivo.

Sendo assim, é clara e evidente a necessidade de se criar, de imediato, uma disciplina dentro da escola convencional, que não simplesmente apresente o obvio do não praticar vandalismo na cidade, mas que, sobretudo, incentive a importância do praticar o uso coletivo de forma responsável, como forma de progredirmos como civilização, com o intuito de evitarmos tais infrações desobstruindo os canais da boa formação intelectual.
            É preciso, ainda, considerar que é no espaço público que experienciamos a vida, reencontramos pessoas, vivenciando assim, um dos nossos instintos mais antigos, que é o de se socializar com os outros indivíduos.
Isso nos remete a reflexão de que a preservação do espaço público é de responsabilidade do poder público, cabendo ao cidadão preservar, fiscalizar, protestar e cobrar das autoridades competentes a revitalização desses espaços. 
Portanto, a educação pode contribuir muito com a formação do ser humano, pois ela se constitui numa base para inserção do indivíduo no meio social de forma competente e responsável.

Por conseguinte, é preciso buscamos teorias que possam reforçar nosso argumento de que é preciso criar uma disciplina no currículo da educação básica voltada para a preservação do espaço público, uma vez que a educação potencializa a compreensão de que o ato de depreciar qualquer patrimônio público representa a negação automática do convívio, do diálogo e da consciência do valor de preservação do bem coletivo.


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