domingo, 27 de setembro de 2015

A Ausência da Iniciação Cientifica nas Instituições de Ensino Superior: Um Pecado Capital

                                                                                                                  Por Túlio Martins


               A Iniciação Científica (IC) é a primeira experiência do aluno com o método científico de produzir conhecimento, sendo um mecanismo de sustentáculo teórico e metodológico para o aprimoramento intelectual. Sua essência tem como objetivo despertar a vocação científica e incentivar talentos potenciais erradicando a atual formulação do aluno como depositários de informações, produzindo indivíduos capazes de criar seus próprios métodos de análise.


               Ademais, a IC tem algumas vantagens como a melhoria na concentração e organização, capacidade de resolver um problema de certa complexidade, acompanhamento de um docente gerando troca de informações e experiências, aprimoramento crítico e criativo, reconhecimento perante a instituição, enriquecimento do currículo visando seleções para pós-graduações e, em alguns casos, a remuneração.


              O desenvolvimento da pesquisa na formação profissional exerce um papel importante para a geração de novos conhecimentos, de novas tecnologias e para o aperfeiçoamento do espírito crítico e reflexivo na formação do acadêmico (SARAIVA, 2007).


               Na busca frenética e imediatista do lucro, as “indústrias da educação” (grande parte das instituições de ensino superior particulares), no geral, optam por negligenciar a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão com o intuito de diminuir custos minimizando a quantidade de hora-aula paga aos professores, ampliando o curso para dois turnos e movimentando o ciclo de entrada e saída de alunos para o mercado de trabalho, aligeirando o processo e (de)formando futuros profissionais á revelia de uma formação profissional sólida, responsável e competente.


               De acordo com Fava-de-Moraes (2001),

 ”não há condições de uma Nação querer ser moderna com desenvolvimento social e econômico se não tiver base científica e tecnológica”. Esta foi uma das conclusões da Conferência Mundial sobre Ensino Superior, realizada pela UNESCO, em 1998. Tome como exemplo os países mais desenvolvidos do mundo no tocante ao número de doutores e PHD que são formados, resultado obviamente da base científica que foi proporcionada à época da graduação.


               Assim sendo, é inconcebível a uma instituição de ensino superior a não efetivação da tríade indissociável do ensino, pesquisa e extensão, não obstante afirme para Deus e o mundo que é necessário formar pessoas capacitadas no âmbito da pesquisa para desenvolvimento, não apenas pessoal, mas, sobretudo, nacional. Este discurso não cola mais! Separar ensino de pesquisa e extensão é um pecado capital imperdoável ao desenvolvimento da sociedade!

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