Por Túlio Martins
Estudante de Arquitetura e Urbanismo
O aluno criador
Quando iniciamos o curso de Arquitetura e
urbanismo, afloramos nossos instintos mais criativos. E, sem embasamento
teórico e cientifico, trilhamos na tentativa de que num piscar de olhos
compreendermos que o que nos falta é acordar com o pé direito, é atrair um
trevo de quatro folhas e fazer um pedido aos deuses arquitetos para, assim,
regurgitamos uma singular capacidade de projetar uma Casa das Canoas ou uma
fantástica residência de Lina Bo Bardi.
Equivoco nosso! O que percebemos em diante
é que criar, aprimorar, solucionar ou conceber se constituem em um conjunto de
elementos dentro de um universo de caminhos que só serão obtidos perante muito
esforço intelectual e, que ao projetarmos, assumimos responsabilidades e
riscos, muitas vezes irreversíveis.
A função do professor como “muro
de arrimo”
O professor chega para conter.
Sustentando, dando limite a essa explosão de criatividade de placebo. Sua
função é indiscutível. O professor lidera, mostra o caminho. É o referencial
para os alunos. O seu papel é de criticar de forma proativa. É o de educar, de
instigar o aluno a atingir o seu máximo e de brecar o avanço desenfreado do
absurdo.
Mediocridade Ativa.
Oscar Niemeyer (1998), afirmava que a
escola Bauhaus era o paraíso da mediocridade, que o fato de seguirmos caminhos
já trilhados não desenvolveria nossa capacidade de criação. Pois, ele acredita
que um chão batido já não era permeável, que precisávamos provocar a mente
criativa, deixar de seguir caminhos feitos e buscar desvios solapados, ocultos,
escondidos pela mediocridade e pela sombra do que já existia. Pensava ele que,
homenagear uma arquitetura não era copia-la, e sim, contrasta-la com algo novo
e jamais pensado, impactante. - “A Bauhaus, que é a turma mais imbecil que apareceu,
chamava a arquitetura de a casa habitat. Não interessava a forma, desde que o
quarto estivesse perto do banheiro, a cozinha perto da sala e funcionasse bem”.
O arquiteto Vilanova Atrigas (1981), já
enfatizava a necessidade de se reformular a metodologia do ensino da
arquitetura, como um todo, no âmbito das universidades. O desejo de Artigas era
transformar por completo o ensino da arquitetura, livrando-o dos limites impostos,
tanto por uma formação predominantemente técnica, herdada do curso de
engenharia, quanto por uma visão artística conservadora, vinculada à tradição
acadêmica.
O arquiteto Ciro Pirondi, quando perguntado sobre qual seria a
principal preocupação na formação dos Alunos, em entrevista ao The Green Club (2011), Pirondi
assegurou que, sua maior preocupação era a de formar cidadãos com uma visão
crítica, capaz de transformar a realidade através da compreensão de que o
ofício de arquitetura é o de um prestador de serviço à sociedade, tal qual um
sapateiro ou varredor de rua.
O aluno sendo lapidado
O que podemos observar de tudo isso, é que
somos alunos em construção. Medrosos e afoitos, orgulhosos e vazios. Buscamos
uma direção, um linear, um objetivo. Esperamos muito daqueles que nos guiam.
Precisamos construir o projeto mais importante que são nossas vidas e nossa
responsabilidade social, cultural e econômica dentro dos pilares da arquitetura
e do urbanismo.
Acabamento
O objetivo aqui é consolidar o diálogo
entre os que educam e os que aprendem na tentativa de sermos mais “professores
muro de arrimo e alunos criadores”. Fortalecendo a dialética dentro do âmbito
universitário e dando mais espaço criativo aos aprendentes. fugindo do
conservadorismo e do conformismo simplista, medíocre. Esse encontro das ideias
é transformador, inadiável e inexorável.
Como aluno, deixo meu depoimento em
agradecimento ao que absorvo dos nossos encontros diários de conhecimento e dos
nossos trabalhos “em dupla”, pois nunca estamos sozinhos, sempre estamos
acompanhados do apoio de vocês, educadores.
Um forte abraço.
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