Por Túlio Martins
Ações Reverberadas
Vivemos em um país seriamente carente de iniciativas
socioculturais, socioambientais e ações humanitárias. Problemas como corrupção,
falta de infraestrutura nas escolas, baixo salário de professores, já são
assuntos tratados com bastante conformismo no cotidiano da maioria das pessoas.
Erroneamente,
temos uma facilidade quase que sobrenatural para abafar com terra o fogo dos
escândalos do nosso país, esquecendo-os quase que de imediato, enquanto
rompemos com a centelha das boas ações.
É chegada a hora
de nos encontrarmos com a solidariedade e compreendermos nosso papel social.
Não há mais logicidade em continuarmos a permear os caminhos da
insignificância. De imediato, precisamos transcender esse tapume que rege nossa
sociedade já debilitada.
O aluno de arquitetura e urbanismo: uma contribuição social
Os alunos de
Arquitetura e Urbanismo representam, no âmbito do planejamento de espaços, uma
parcela significativa de pessoas que estão de alguma maneira buscando
solucionar os problemas da sociedade.
Todavia, a
contribuição efetiva do aprendente para a transformação do ambiente social se
dá com mais intensidade à medida que deixa a universidade e inicia seu
fascinante caminho como arquiteto urbanista.
Até ai, tudo
bem. Mas, é necessário reconhecer que o estudante de arquitetura e urbanismo é
um profissional em construção e, como tal, tem sensibilidade e potencial para
lapidar e ser lapidado pela sociedade em que se insere.
Mas, como ser útil à sociedade?
Existem algumas
maneiras de sairmos do estado de letargia e adentramos numa busca incessante
pela transformação. Uma delas é o estabelecimento de um diálogo permanente com
a sociedade sobre a preservação do meio ambiente de um modo geral e, de forma
mais especifica, do patrimônio histórico e cultural.
É de suma
importância compreender que cada tijolo, cada fachada, cada monumento, guarda
as memorias da nossa existência, os negativos que provam nossa capacidade de
raciocínio, que nos separa dos demais seres vivos, permitindo assim, manter
acessa a chama que une o passado e o presente, na lógica da construção de um
futuro melhor.
Outra vertente
primordial e improrrogável é a interação da universidade com o seu entorno. A
organização de debates sobre melhorias no bairro, sobre acessibilidade,
inclusão social, o esclarecimento da população sobre legislações ligadas a
construção civil e a organização da cidade, pode significar melhorias no
processo de ocupação, no convívio e no aprimoramento da formação intelectual,
social, cultural e econômica do estudante de arquitetura e urbanismo.
Sendo assim,
percebemos que existe uma competência social na estruturação da formação do
estudante, uma vez que, para ser útil a sociedade não é necessário ser um
estudante de arquitetura e urbanismo, mas para ser um estudante de arquitetura
e urbanismo, é necessário ser útil à sociedade.
Portanto, esse
texto tem o objetivo de provocar uma reflexão sobre a nossa a capacidade de
transcender o cotidiano, de transformar a vida daqueles que dividem esse
planeta de tantas culturas e personalidades. É também uma convocação a
todos os estudantes e, em especial, aos de arquitetura e urbanismo, a
vislumbrarem novas formas de agir em relação a seu papel social, ainda como
estudante, como possibilidade de construir perspectivas melhores para o futuro
coletivo.