sexta-feira, 22 de abril de 2016

Memórias do Semiárido: A Casa



                              “A seca penetra pela janela quadrada, parruda, corpulenta e anafada. O que se vê é o terreiro, que mais parece uma praça cívica dando ênfase a arquitetura vernacular. Aberta, plana, destacando a casinha de taipa. Onde se pisa se pisa com força, socando o chão batido. Pau-a-pique, taipa de sopapo, é o barro correndo entre os dedos já enervados. A veia mostrando o pulsar vibrante na mão de quem conhece a solidão da imensidão da paisagem. O sol, visita constante, chega batendo na porta de madeira de algaroba. Porta de duas portas, pois porta se torna janela e janela porta. É o vento cruzando a pele áspera dos olhos que não se lamentam. Pois, fé é força, palma é comida e noite é dança.”                           

Túlio Martins

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